Friday, December 29, 2006

"Põe-me o braço no ombro
eu preciso de alguém
dou-me com toda a gente
e não me dou a ninguém
frágil
sinto-me frágil

Faz-me um sinal qualquer
se me vires falar demais
eu às vezes embarco
em conversas banais
frágil
sinto-me frágil

Frágil
esta noite estou tão frágil
frágil
já nem consigo ser ágil

Está a saber -me mal
este Whisky de malte
adorava estar "in"
mas estou-me a sentir "out"
frágil
sinto-me frágil

Acompanha-me a casa
já não aguento mais
deposita na cama
os meus restos mortais
frágil
sinto-me frágil."

Frágil - Jorge Palma

Sensibilidade...

Saudade...


Monday, December 25, 2006

É Natal...

É tempo de Paz e Amor...
Grandes banquetes, prendas, votos, abraços...
O Ser humano está mais sensivel, mais em harmonia com ele e com os outros...
Podiam ter, pelo menos um bocadinho deste espirito natalicio, os outros dias do ano...
Para todos as pessoas no Mundo.

Friday, December 22, 2006

Kosmic Blues...


Time keeps movin' on,
Friends they turn away.
I keep movin' on
But I never found out why
I keep pushing so hard the dream,
I keep tryin' to make it right
Through another lonely day, whoaa.

Dawn has come at last,
Twenty-five years, honey just in one night, oh yeah.
Well, I'm twenty-five years older now
So I know we can't be right
And I'm no better, baby,
And I can't help you no more
Than I did when just a girl.

Aww, but it don't make no difference, baby, no, no,
And I know that I could always try.
It don't make no difference, baby, yeah,
I better hold it now,I better need it, yeah,
I better use it till the day I die, whoa.

Don't expect any answers, dear,
For I know that they don't come with age, no, no.
Well, ain't never gonna love you any better, babe.
And I'm never gonna love you right,
So you'd better take it now, right now.
Oh! But it don't make no difference, babe, hey,
And I know that I could always try.

There's a fire inside everyone of us,
You'd better need it now,I got to hold it, yeah,
I better use it till the day I die.
Don't make no difference, babe, no, no, no,
And it never ever will, hey,
I wanna talk about a little bit of loving, yeah,
I got to hold it, baby,
I'm gonna need it now,
I'm gonna use it, say, aaaah,

Don't make no difference, babe, yeah,
Ah honey, I'd hate to be the one.
I said you're gonna live your life
And you're gonna love your life
Or babe, someday you're gonna have to cry.

Yes indeed, yes indeed, yes indeed,
Ah, baby, yes indeed.
I said you, you're always gonna hurt me,
I said you're always gonna let me down,
I said everywhere, every day, every day
And every way, every way.

Ah honey won't you hold on to what's gonna move.
I said it's gonna disappear when you turn your back.
I said you know it ain't gonna be there
When you wanna reach out and grab on.
Whoa babe,
Whoa babe,
Whoa babe,
Oh but keep truckin' on."

Jaguar...

Um dia... eu conduzi um carro assim...
Fui tão feliz! ahahahahahaha...
Aquilo é que foi...
Cabelo ao vento fresco do ar condicionado, para variar do meu usual abrir de janela manual...
Mudanças automáticas...
É realmente uma bela maquina!

Fraude

Segundo o Código Penal:
"Comete fraude todo aquele que se aproveita da ignorância do outro para o prejudicar".
Muito fraudulento é o ser humano...

Thursday, December 21, 2006

Sonhos...

Gosto de perguntar aos outros quais são os seus sonhos.
É lindo vê-los de olhos bem abertos e brilhantes pedir casas, dinheiro, carros, viagens, casamentos, filhos, toilettes, plasticas, status, amores...
Gosto muito de os ver abrirem-se, dando a conhecer as suas reliquias, as suas confissões...
Quando acabam soltam um profundo suspiro e longo sorriso.
É lindo ver pessoas a sonhar...
E quando se recolhem dos seus voos, olham-me e perguntam-me quais são os meus sonhos.
Sorrio e suspiro. Sem perceberem porquê que nada lhes digo, dizem:
"Então não tens sonhos? Que estranho..."

Ai! Se soubessem que eu tenho, talvez, mais sonhos que vocês.
Digo-lhes apenas: Ser feliz.
E esse ser feliz, tendo consciencia de que se trata de um estado e não de uma possessão, acarreta com ele, mortalmente também, um grande amor, viagens, talvez uma pequena casa à beira mar, um casamento se encontrar aquele, o "tal", filhos muitos e barulhentos, poucas toilettes, dinheiro que baste para viver...
Mas no fundo...
O que peço à vida é que ela me seja doce, que não me magoe, que me deixe de vez em quando, fazer uma omolete mesmo que só tenha um ovo que será meu banquete.
Que me deixe continuar a acreditar que um sorriso de um criança, limpa a alma dos homens,
Que o mar me ouve e me abraça sempre que me encontro com ele,
Que as flores sentem as nossas palavras,
Que os animais têm alma,
Que nós temos várias vidas,
Que há justiça no mundo,
Que o ser humano é belo,
Que existem duendes e fadas nos bosques,
Que a lua nos inspira,
Que nem sempre se sofre,
Que vale sempre a pena amar, sempre, mesmo que depois se tenha que sofrer.

Deixe-me acreditar que possa andar muitas vezes descalça em erva molhada,
Subir ás arvores, comer seus frutos,
Que possa correr em campos de flores brancas minusculas,
Ver os passaros voar bem alto, nuvens brancas a fazer bonequinhos engraçados,
Sorrir ao ver um bébé dormir, ver muitos locais diferentes e novos,
Ouvir falar de lendas e historias magicas,
Comer algodão doce, abraçar o pôr do sol,
Beijar alguem especial ao som de uma musica especial,
Dançar com liberdade e rir com vontade,
Abraçar quem amo, amar sem medo...

Acreditar nos sonhos...
Deixem-me acreditar nos sonhos, nos meus e nos vossos.
Mas não me peças que te diga quais são...

Wednesday, December 20, 2006

Que remédio...


Assim que se olharam, amaram-se;
Assim que se amaram, suspiraram;
Assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo;
Assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio.

(Shakespeare)

O Norte - por Miguel Esteves Cardoso

"Primeiro, as verdades.

O Norte é mais Português que Portugal.
As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.
O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela.
As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantesque já se viram.
Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo estátudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidadeverde-branca.Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que sevê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-sebranco ao olhar. Até o granito das casas.

Mais verdades.
No Norte a comida é melhor.
O vinho é melhor.
O serviço é melhor.
Os preços são mais baixos.
Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar umaninharia.
Estas são as verdades do Norte de Portugal.
Mas há uma verdade maior.

É que só o Norte existe. O Sul não existe.
As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira,Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.
Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.
No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que seidentifica como sulista?No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.
Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.
Não haja enganos.
Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.
Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.
Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.

Mas o Norte é onde Portugal começa.
Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.

Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, pormuito pequenina. No Norte.

Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.
Mais ou menos peninsular, ou insular.
É esta a verdade.
Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especialmas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açoressão um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centronem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam doAlgarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidadeincompreensível a que chamam, qual hipermercado de milmisturadas, Continente.

No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muitoestragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quemnão quer a coisa.
O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.
O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho.
Tem esse defeito e essa verdade.

Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menosportugueses) nessas coisas.
O Norte é feminino.
O Minho é uma menina.
Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulherportuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelhapequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.
As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem aescrever-se sozinhos.
Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas nãodão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas ehonradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serembelas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade.Acho-as verdadeiras. Acredito nelas.
Gosto da vergonha delas,da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar deum estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, decarrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vidaa cuidar dos outros.
Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto dasburguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens.
Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e osmaridos, mas gosto delas.
São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.As mulheres do Norte deveriam mandar neste país.
Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, sãoas senhoras em toda a parte.
Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidemsilenciosamente.
Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.Só descomposturas, e mimos, e carinhos.

O Norte é a nossa verdade.
Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho noNorte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam doNorte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar umnortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte.
Afinal, Portugal é um caso muito sério e competea cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, osseus pedaços e pormenores.
Depois percebi.
Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesarde as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que éo "O Norte".
Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defenderPortugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a suapertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a umaterra maior, é comovente.

No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. EmViana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticascomo as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amaranteainda é mais bonita.

O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minhoou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego?

Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas,para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu emfogo, para adivinhar.

O nome do Norte é Portugal.
Portugal, como nome de terra, como nome de nóstodos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneiraque têm de dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda ahora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sempatrioteirismos. Como se fosse só um nome.
Como "Norte".
Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros.

Porque é que não é assim que nos chamamos todos?"

Thursday, December 14, 2006

A vida que temos...

"Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada."

Fernando Pessoa

Tuesday, December 05, 2006

Um dia vou ganhar coragem...

Quando pensas que as coisas não podem ser piores...

............................ elas, de facto, podem sempre piorar!!!