Prioridades
“Entra hoje em vigor a lei que descriminaliza o aborto até às dez semanas de gravidez por opção da mulher. Mas isso não significa que, a partir de hoje, uma mulher possa ir a um hospital público pedir para interromper a gravidez. Até porque está previsto um prazo de 60 dias para a regulamentação da lei, que foi publicada há cinco dias.
“Uma pessoa também pode ir a um hospital pedir para lhe fazerem um transplante cardíaco e ouvir como resposta: não temos condições para isso”, explica Luís Graça, director do serviço de Ginecologia/ Obstetrícia do Hospital de Santa Maria (Lisboa), que já está a constituir uma “pequena equipa” no estabelecimento para dar resposta à lei.
Durante este intervalo temporal, as mulheres terão que “fazer o mesmo que fizeram até hoje”, diz o médico, que faz parte de uma das duas comissões nomeadas para a regulamentação da lei. O prazo para a definição das condições a criar nas unidades públicas (a forma como os hospitais se vão organizar, as consultas prévias e a declaração de objecção de consciência) termina em 21 de Junho, mas poderá ser antecipado. Luís Graça acredita que “dentro de um mês, cinco semanas” tudo deverá estar pronto.
O especialista admite, aliás, que pode haver hospitais já em condições de avançar, mas garante que o Santa Maria não. Até por uma razão básica, justifica: a maior parte dos estabelecimentos não dispõe do medicamento que será usado numa parte substancial dos abortos até às oito semanas - o mifepristone, a chamada “pílula abortiva”. Apesar de o ministro da Saúde ter autorizado a compra deste fármaco há mais de um ano, apenas três hospitais apresentaram pedidos ao Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed). E só na semana passada é que o Infarmed terá iniciado o processo para uma aquisição em massa ao único laboratório que o produz. Associado ao misoprostol — usado há anos em Portugal para induzir os abortos ditos terapêuticos -, o mifepristone está descrito pela OMS como sendo eficaz em mais de 90 por cento dos casos de abortos até às nove semanas.
Nas gravidezes mais avançadas recorre-se à aspiração.
Convencido de que “entre 70 a 80 por cento” dos médicos vão invocar objecção de consciência, Graça acredita que a lei não provocará uma invasão dos hospitais públicos por dois motivos: o mifepristone vai ser fornecido nos centros de saúde e apenas um quarto dos casos chegará às urgências dos hospitais; e, “se Portugal não for uma aberração”, grande parte das mulheres optará pelas clínicas privadas, devido ao “sigilo”que estas proporcionam.”
In Publico, 22 de Abril de 2007
- Já a tabela das novas taxas moderadoras no internamento e cirurgias, entrou em vigor a 1 de Abril, DOIS DIAS após publicação em Diário da República. -
“Uma pessoa também pode ir a um hospital pedir para lhe fazerem um transplante cardíaco e ouvir como resposta: não temos condições para isso”, explica Luís Graça, director do serviço de Ginecologia/ Obstetrícia do Hospital de Santa Maria (Lisboa), que já está a constituir uma “pequena equipa” no estabelecimento para dar resposta à lei.
Durante este intervalo temporal, as mulheres terão que “fazer o mesmo que fizeram até hoje”, diz o médico, que faz parte de uma das duas comissões nomeadas para a regulamentação da lei. O prazo para a definição das condições a criar nas unidades públicas (a forma como os hospitais se vão organizar, as consultas prévias e a declaração de objecção de consciência) termina em 21 de Junho, mas poderá ser antecipado. Luís Graça acredita que “dentro de um mês, cinco semanas” tudo deverá estar pronto.
O especialista admite, aliás, que pode haver hospitais já em condições de avançar, mas garante que o Santa Maria não. Até por uma razão básica, justifica: a maior parte dos estabelecimentos não dispõe do medicamento que será usado numa parte substancial dos abortos até às oito semanas - o mifepristone, a chamada “pílula abortiva”. Apesar de o ministro da Saúde ter autorizado a compra deste fármaco há mais de um ano, apenas três hospitais apresentaram pedidos ao Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed). E só na semana passada é que o Infarmed terá iniciado o processo para uma aquisição em massa ao único laboratório que o produz. Associado ao misoprostol — usado há anos em Portugal para induzir os abortos ditos terapêuticos -, o mifepristone está descrito pela OMS como sendo eficaz em mais de 90 por cento dos casos de abortos até às nove semanas.
Nas gravidezes mais avançadas recorre-se à aspiração.
Convencido de que “entre 70 a 80 por cento” dos médicos vão invocar objecção de consciência, Graça acredita que a lei não provocará uma invasão dos hospitais públicos por dois motivos: o mifepristone vai ser fornecido nos centros de saúde e apenas um quarto dos casos chegará às urgências dos hospitais; e, “se Portugal não for uma aberração”, grande parte das mulheres optará pelas clínicas privadas, devido ao “sigilo”que estas proporcionam.”
In Publico, 22 de Abril de 2007
- Já a tabela das novas taxas moderadoras no internamento e cirurgias, entrou em vigor a 1 de Abril, DOIS DIAS após publicação em Diário da República. -

A ti... Por quem és... Por tudo...


É belo ver alguém "resolvido" consigo mesmo. Assim, posteriormente livre de demonstrar o que é, o que pensa, o que sente e consequentemente defender as suas opiniões, mesmo que ninguem entenda...
Tenho receioo de pessoas que não expressam, que não dizem o que pensam livremente; que não defendem no que acreditam; que não argumentam os seus pontos de vista.

